Os jornalistas Marcos Lemos e Téo Meneses se juntam e escrevem uma longa reportagem, descrevendo minúncias, até os detalhes sórdidos, do rumuroso caso do vereador cuiabano (e bombeiro militar) Ralf Leite com travesti na manhã de ontem.
Eis a íntegra na Gazeta: Policiais militares, que procuravam ladrões de veículo, abordaram o carro do vereador, a Mitsubishi TR-4, de placa KAH – 8512. O veículo parado chamou a atenção dos soldados por causa do seu valor de mercado que atinge os R$ 100 mil e o local onde estava parado em frente a um motel no Zero KM. Consta no boletim de ocorrência (BO) que o travesti fazia sexo oral com Ralf. Ambos foram detidos e levados ao 4º Batalhão da PM, onde o vereador teria se recusado a fazer o teste de de alcoolemia (teor de álcool no sangue). Depois foi encaminhado ao Centro Integrado de Segurança e Cidadania (Cisc) do Parque do Lago, também em Várzea Grande.
História - Ralf Leite teria saído de uma boate em Cuiabá por volta de 4h para levar a namorada ao município de Várzea Grande. Quando retornava à Capital teria encontrado o travesti no Zero KM. “Eu cobrei R$ 50,00 pelo programa, ele (Ralf) me disse que estava caro e pediu um desconto, já que iria ser apenas sexo oral, então aceitei por R$ 30,00, mas na hora o carro foi abordado pelos policiais”, disse o menor D.B.S.C. Sem constrangimento, no Cisc, o adolescente retirou do bolso R$ 30,00 e mostrou para policiais.
No Zero KM, ao ser abordado pelos soldados Benedito Costa e Gomes, por volta das 5h, Ralf Leite saiu do veículo com as calças arriadas e a genitália à mostra. Ele ainda não havia se identificado como vereador. Ele apresentou o Certificado de Registro de Licenciamento Veicular e negou estar com a carteira de habilitação, o que motivou os policiais a levarem ao 4º Batalhão para o teste de bafômetro. Ele estaria embriagado e não portava documentos pessoais.
Autoridade - No momento em que ficou decidida a remoção para a sede da Polícia Militar, Ralf Leite se identificou como soldado do Corpo de Bombeiros Militar, apresentando então a identidade funcional militar. Os soldados pediram para o vereador aguardar enquanto fosse feita a checagem da veracidade do documento, o que Ralf Leite pediu que fosse deixado de lado. Na medida em que os policiais passaram a checar o documento, o vereador se alterou, conforme consta no BO, e passou a ameaçar os soldados militares dizendo: “Vocês não sabem com quem estão falando. Eu sou filho do coronel Leite e vereador pela cidade de Cuiabá. Eu posso mandar vocês para onde eu quiser”.
Segundo os soldados, as ameaças do vereador os levaram a comunicar a situação ao superior imediato que determinou a remoção dele e do travesti ao 4º Batalhão onde outras discussões e agressões se sucederam, inclusive com acusações de coação do menor que teria informado ter 17 anos. Por determinação do comandante do 4º Batalhão, major Helder Sempaio, foi feita a remoção de Ralf Leite e do adolescente para o Cisc do Parque do Lago, onde o caso foi assumido pelo delegado Ely Roberto Ambrosio.
Ocorrência - Por volta das 9h, delegado responsável informou que o BO apresentava como natureza da ocorrência crimes de desacato e ameaça, o que segundo ele são “de menor poder ofensivo”. Ely Roberto determinou que fosse feito termo circunstanciado e a liberação do acusado para responder a acusação no Juizado Especial de Pequenas Causas e a continuidade da investigação para a Delegacia do Jardim Glória.
O prédio do Cisc ficou lotado por jornalistas, advogados, vereadores e curiosos. O delegado informou que Ralf Leite não estava detido nem preso, apenas aguardava para prestar esclarecimentos, mesma condição do adolescente.
O pai de Ralf Leite, o coronel aposentado pela PM Edson Leite, diretor-presidente do Hospital da Polícia Militar, esteve no Cisc e defendeu o filho, apontando que tudo seria esclarecido e tudo não passava de engano. Ele tentou libertar o vereador, mas não conseguiu.
Socorro - Logo depois chegaram alguns vereadores, o companheiro de partido, Néviton Fagundes, e depois os vereadores Clovito Hugueney (PTB) e o líder do prefeito, Paulo Borges (PSDB), que disseram levar solidariedade e atender pedido do prefeito Wilson Santos (PSDB) e do secretário de governo, Osvaldo Sobrinho (PTB).
Por determinação do presidente da Câmara, vereador Deucimar Silva (PP), o consultor jurídico Lauro da Matta esteve na unidade policial, conversou com as autoridades e com o vereador e disse que informações seriam levadas ao conhecimento do presidente e pediu cautela e bom senso na apuração dos fatos ocorridos e começou a falar na tese de que tudo não teria passado de armação. Logo depois os vereadores sugeriram extorsão por parte dos PMs, o que irritou soldados que aguardavam o desfecho do problema.
Coronel Sampaio conversou com o delegado, com os advogados e com o adolescente. O oficial da PM se irritou ao saber que o vereador acusado seria solto. Sampaio sugeriu entregá-lo à Corregedoria do Corpo de Bombeiros, pois na condição de soldado, mesmo exercendo mandato eletivo, o crime seria militar. Se afastado pesaria ainda a acusação de falsidade ideológica, outro crime que chegou a ser sugerido, inclusive a corrupção de menores, que é inafiançável.
Passava do meio-dia quando, visivelmente abatido, Ralf Leite saiu pelos fundos do Cisc, abraçado a um dos seus advogados e amigos. Ele gritou que “este é o preço da honestidade. Não pago R$ 600,00 para nenhum policial militar”, disse o vereador. Para provocar, disse que “é heterossexual, pode perguntar para todas as mulheres de Cuiabá”.
Comissão - O caso envolvendo Ralf Leite vai ser investigado pela Comissão de Ética da Câmara de Cuiabá, que pode cassar o mandato do parlamentar por falta de decoro. Sobre essa possibilidade, o presidente do Legislativo, Deucimar Silva (PP), afirmou ontem que as normas de conduta moral dos vereadores serão respeitadas, mas com serenidade e sem precipitações. Fazem parte da comissão Néviton Fagundes, filiado ao mesmo PRTB de Ralf Leite, Lueci Ramos e Domingos Sávio.
“De antemão, porém, (Mesa Diretora da Câmara) reafirma o compromisso com a transparência das ações e na apuração de todo e qualquer fato que envolva seus integrantes e sempre se pautará pela lisura e honradez em defesa da dignidade dessa casa de leis”, disse Deucimar, em trecho de uma nota pública divulgada pela assessoria da Câmara depois que o presidente cancelou uma entrevista coletiva para tratar do assunto.
Deucimar cancelou a coletiva porque seguiu a Chapada dos Guimarães, onde se reuniu com Ralf Leite no início da noite. O vereador solicitou o encontro na tentativa de justificar o que aconteceu. A entrevista de Deucimar deve ser concedida hoje.
Preocupação - Os aliados de Ralf Leite já se mostram preocupados com um possível cassação por falta de decoro parlamentar, já que o Regimento Interno da Câmara e a Lei Orgânica do Município preveem a perda de mandato por episódios que afetem a imagem do Legislativo.
A punição pode ocorrer com base no inciso 2º do artigo 20 da Lei Orgânica, que prevê a perda de mandato em caso de “comportamento incompatível com o decoro parlamentar ou atentatório às instituições vigentes”. O artigo 90 do Regimento Interno também segue na mesma linha, apesar de a Câmara não ter Código de Ética, que chegou a receber parecer pela aprovação das comissões permanentes do Legislativo depois de ser sugerido pelo ex-vereador Permínio Pinto (PSDB) ainda em 2007.
Orkut - O escândalo envolvendo Ralf Leite virou até notícia nacional em vários sites do país inteiro. O maior destaque foi dado pelo site Mídia Max, de Campo Grande (MS). Na maior página de relacionamentos da Internet, o Orkut, o vereador foi alvo de vários palavrões e críticas na sua página pessoal. Até a semana passada, quando A Gazeta publicou matéria sobre políticos que mantêm sites na Internet, o espaço era usado apenas para recados de amigos e elogios ao parlamentar, já que o próprio vereador fiscaliza os recados antes de serem divulgados. Como ele não pôde fazer isso, porque estava detido, palavrões fugiram do controle.

4 Comentários
27/02/2009 às 11:01 AM
e verdade e u acredito na versão do veredaor ralf leite
ass almir dias
10/02/2009 às 7:50 PM
Como um ser humano de bem, nao desejo mal a esse rapaz, mas posso lhe dizer, ele já desejou mal para muita gente, ele tem um passado que o condena. Quando soube que esse cara se candidatou para vereador, pensei: Ahhh, esse cara nao vai ganhar, por tudo que ele ja fez, achava mesmo impossível ele ganhar, mas quando me veio a notícia que ele tinha ganho a eleiçao para vereador, fiquei indignado. Sou da mesma época que ele, sei que ele era o maior “confusão”, sei que não é apto para exercer a função que exerce. Quem conhece, ou quem sabe quem é esse cara, sabe muito bem do que eu estou falando, isso que eu ficava sabendo por fora, pela boca de outros, até mesmo do episódio que ocorreu no Getúlio, onde ele como sempre, brigando em festas, aparecia armado com armas do seu pai. Esse foi apenas um de muuuuitos que ocorreram. Justiça será feita com essa minha mensagem??? Acho impossível, mas esse é um comentário para quem nao conhece muito sobre ele. Essa história de falar que é filho de Coronel, é velha, ele carrega isso desde que era adolescente, quantos policiais ja escutaram isso, que “nao sabem com quem está mexendo”. Sinceridade, considero esses policiais que fizeram a abordagem correta, de não deixar levar em consideração essas coisas que ele ja disse para vários policiais. VEREADOR??? JAMAIS!!!
08/02/2009 às 1:11 PM
Não desejo maldade a ninguém, mas este rapaz está pagando um pouquinho do que ele deve por ter feito atrocidades com pessoas de bem na cidade. Acabou com festas de família, émetido a brigador, enfim…
Eu espero que seu mandato seja realmente caçado, pois não concordo em deixar um monstro como ele ter acesso e poderes para legislar. Além disso, sua eleição foi sua, pois utilizou a PM e o CB para tal, comprou votos e intimidou pessoas a votarem nele.
Esse cara é um VERME.
08/02/2009 às 11:41 AM
Ele gritou que “este é o preço da honestidade. Não pago R$ 600,00 para nenhum policial militar”, disse o vereador. Para provocar, disse que “é heterossexual, pode perguntar para todas as mulheres de Cuiabá”.
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A minha mulher esse fdp não conhece. Sou um dos “patrões” desse discarado, que pra encubrir suas besteiras difama mulheres de respeito da nossa sociedade, generalizando-as.
Ele pode até dizer pra perguntar pra todas as vagabundas da sua laia de Cuiabá, mas não pra todas as mulheres. Já que isso inclui sua própria mãe.
Não estou aqui atacando-o por estar com um travesti, que, por sua vez, de adolescente inocente não tem nada. É mais um descassificado. Isso explica o fato de estarem juntos. O que me deixa indignado é essa velha e indigesta frase. “Vocês sabem com quem estão falando?” E também a acusação contra os policiais. Claro, é fácil acusar policiais, afinal ele tem que se safar. Como explicar isso depois? Só falta ele dizer que foram os policiais que arranjaram esse traveco aí. O que esses políticos idiotas tem que entender, é que nós, o povo somos seus patrões. É pra nós que eles trabalham. Nós, o povo é quem PODEMOS lhes perguntar: VOCÊ SABE COM QUEM ESTÁ FALANDO? NÓS SIM PODEMOS MANDÁ-LO PRA ONDE QUISERMOS.
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