30/01/2009...7:28 AM

Disputa entre Cuiabá e Campo Grande começou a acirrar: Governo do PMDB contrata Chico Santa Rita para fazer campanha de baixaria

Autoridades sul-mato-grossenses fizeram ontem uma espécie de relançamento da campanha do Estado para abrigar jogos da Copa do Mundo de 2014. A solenidade aconteceu no Centro de Exposições Rubens Gil de Camilo, no Parque dos Poderes, em Campo Grande.

A principal atração da festa foi a modelo e empresária Luiza Brunet, nascida em Itaporã (MS). Ao lado do prefeito Nelson Trad e do governador André Puccinelli, ambos do PMDB, Luíza pousou para fotos empunhando o lema da Copa no Estado: “O Pantanal é aqui e a Copa é Nossa”. 

A despeito dos atributos físicos de Luiza Brunet, merece atenção, de fato, um folder preparado pelos organizadores da campanha sul-mato-grossense. Parte do material é destinada a exaltar as qualidades do Estado. Mas uma outra fatia significativa se reserva a desqualificar Mato Grosso, que concorre com o Estado vizinho pelo direito de sediar partidas do mundial. 

As “ofensas” são fruto de uma nova estratégia do governo local, que contratou o marqueteiro Chico Santa Rita para coordenar a candidatura. Defensor do “vale-tudo” em campanha eleitoral, Santa Rita é conhecido por usar métodos um tanto controversos para enfraquecer o adversário, inclusive ataques e baixaria. Ligado ao PMDB, ele já atuou em campanhas em Mato Grosso. Sua última aparição foi no segundo turno da disputa para prefeito de Cuiabá, no ano passado, quando tentou melhorar os índices do então candidato Mauro Mendes (PR), que acabou perdendo a eleição para Wilson Santos (PSDB). 

O folder é dividido em 30 itens (veja fac-símile). Doze deles são destinados a desacreditar Cuiabá como cidade potencialmente capaz de receber jogos da Copa do Mundo. 

“A cidade que disputa com Campo Grande a indicação para ser uma das subsedes é Cuiabá, capital de Mato Grosso, Estado conhecido como derrubador da floresta, pelo alto índice de desmatamento da Floresta Amazônica”, diz um trecho do capítulo “Natureza e Meio Ambiente”. Em seguida, o texto relata que Mato Grosso liderou o desmatamento no Brasil, derrubando 1.786 quilômetros quadrados de vegetação nativa. “A divulgação destes dados foi até motivo de uma discussão pública entre o ministro do Meio Ambiente Carlos Minc e o governador Blairo Maggi”. 

No capítulo “Qualidade de Vida”, o folder argumenta que a temperatura média em Campo Grande é 3 graus inferior à de Cuiabá; que a capital mato-grossense tinha, no dia 3 de outubro de 2007, a pior qualidade do ar no Brasil por causa dos incêndios florestais; e que Mato Grosso só perde para o Maranhão e Pará no quesito queimadas. 

Em “Infraestrutura”, a propaganda alardeia que Mato Grosso do Sul tem três aeroportos internacionais (Campo Grande, Corumbá e Ponta Porã) e, em março de 2009, ganhará mais um, o de Bonito. “Já Mato Grosso tem um único aeroporto, que não está localizado na capital, mas no município vizinho, Várzea Grande”, consta na peça. 

A propaganda sul-mato-grossense cita também a violência em Mato Grosso. “Johanesburgo (…) teve, em 2006, média de 39,8 assassinatos para cada 100 mil habitantes. A média de Cuiabá é maior: registrou 45,2 assassinatos por 100 mil em 2007. Já Campo Grande, (sic) a média ficou 30,3 no mesmo período”. 

Fonte: Anselmo Carvalho Pinto/Diário de Cuiabá

A disputa para ser uma das sub-sedes da Copa 2014 começou a acirrar pelo que nos revela a matéria publicada hoje no Diário de Cuiabá.

Esse acirramento tem dois lados: o bom e o ruim. O bom é que abre os olhos das autoridades mato-grossenses que precisam ser mais “agressivas”,  mas não precisam baixar o nível como faz Campo Grande.

Outro lado positivo é que, se Campo Grande começou a apelar, contratando até o marqueiro-rei das baixarias, Chico Santa Rita, é porque os campograndenses sentiram que Cuiabá está na frente.

O ruim é que não precisava desse tipo propaganda para exaltar as qualidades…

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