Um estudo divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) revela o fenômeno de “escurecimento da população brasileira” nos últimos dez anos. Mas a pesquisa indica que mudanças na maneira de pensar das pessoas – e não elementos de cunho demográfico – são responsáveis pela quase totalidade da mudança. Segundo o Ipea, o que ocorre, na verdade, não é que o Brasil esteja se tornando uma nação de negros, mas está se assumindo como tal.
De acordo com a publicação Desigualdades Raciais, Racismo e Políticas Públicas 120 anos após a Abolição, até o início dos anos 90, a população negra vinha aumentando de modo “relativamente lento e vegetativo”, por meio de uma taxa de fecundidade um pouco mais alta para pretos e pardos – além do fato de que descendentes de casais de negros e brancos terem maior probabilidade de ter filhos pardos.
Já em algum momento entre 1996 e 2001 começa um processo de mudança na maneira como os brasileiros se vêem. Durante o período, segundo o Ipea, as pessoas passam a ter menos vergonha de se identificar como negras e deixam de se “branquear” para se legitimar socialmente. “Essa mudança é um processo surpreendentemente linear, surpreendentemente claro e, ao que tudo indica, ainda não terminou”, diz a pesquisa.
O estudo indica que a mudança se deve, em grande parte, à influência do movimento negro. “À medida que o debate da identificação racial ganha as páginas dos jornais e a sociedade vê que é um tema legítimo; que negros são apresentados nas telenovelas como personagens poderosos e não apenas empregados domésticos; são vistos compondo o Supremo Tribunal Federal (STF) e ocupando os mais diversos cargos na política; que o movimento negro sai da marginalidade e ocupa espaços no debate político, a identidade negra sai fortalecida.”
Fonte: ABr
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Desses 10 anos pesquisados, 6 são do governo Lula, no qual houve grandes avanços nessa questão, a mais destacadas foi a indicação de Joaquim Barbosa para assumir o posto na mais alta corte do país, entre outras ações.
21/11/2008 às 8:48 AM
Ainda que estejamos diante de uma pele alva e um par de olhos azuis não nos é possível afirmar se um indivíduo é branco, negro, vermelho, amarelo ou azul… Não apenas aqui, mas na grande maioria dos países deste planeta, hoje, praticamente todas as peles contam histórias de outras peles… Já está mais do que na hora de abolir um preconceito que fere não apenas a identidade de um ou outro cidadão, mas de todo um país.
Bjs, João, e inté!